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"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina"
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sexta-feira, 30 de março de 2012

Nós de Náutica

Nós
Porque náutica tem que saber...


Náutica sem nós, parece incompleto. Então aí vai, mas...

O que é um nó?
Nó é aquilo que acontece na cabeça de quem aprende a dar nós, mas não os utiliza com freqüência.
É como aprender a dirigir carro, e logo depois passar meses sem dirigir novamente. Esquece.

Lição número 1: Atando as corda

Antes de aprender a dar nós, saiba que em um barco não se chama uma corda simplesmente de corda.
Não existe corda em um barco! Um barco só tem cabos.

Aquelas cordas que V. vê por todos os lados em um veleiro, não são cordas. São cabos.
Quando alguém fala "naquela corda ali", já se entregou: é marinheiro de primeira viagem. E como soa mal...

Três exceções: Corda do sino, do relógio e a de enforcar quem chamar um cabo de corda.

Cometa erros gramaticais. Até pode esquecer os plural tudo. O comandante vai entender... Mas, pelamordedeus, não chame um cabo de corda. Soa muuuuuito mal. Pior que esses erro tudo.
Obs.: os erros gramaticais dos outros itens não são propositais ;)

E mais uma: não se ata um cabo. Os cabos são amarrados.

Por que V. quer aprender a dar nós?

Opção 1 - Você "não é do ramo" e quer dar uma boa impressão quando for velejar no barco de um amigo: aprenda o Lais de Guia e a Volta Falida (nos desenhos abaixo chamada de "nó em 8").

O Lais de guia é o nó mais utilizado em um veleiro. A Volta Falida serve para amarrar o barco ao trapiche, ou mais especificamente, para fixar a amarra (cabo) ao cunho ("aquela peça" sobre o convés - veja o desenho).

Opção 2 - Passatempo: comece pela falcaça. É um trabalho de comandante meticuloso, pra não dizer chato. Leva-se um certo tempo para deixá-la bem parelha.

A extremidade dos cabos tende a desfiar. A falcaça é a maneira mais nobre de evitar o problema. Mais tradicional ou chique.

Mas há outras maneiras: se o cabo for de nylon (qq material sintético), coloca-se sobre o fogo (isqueiro ou fogão). Se V. não tiver paciência de ficar mantendo-o um pouco longe do fogo, vai ficar preto na ponta. Pode-se também empapar a extremidade de um cabo de nylon com álcool e tocar fogo.

E pode-se também simplesmente enrolar um esparadrapo na ponta do cabo. Ou enrolar um esparadrapo largo, bem esticado, e cortar um pedaço (1cm) do cabo fora, deixando a ponta "bem reta".

E tem ainda o tal do shrinkable. É um tubo (mangueirinha) de plástico flexível, de parede bem fina, termocontrátil. Como se fosse uma capa de revestimento plástico. Enfia-se a ponta do cabo em um pedaço desta capa e esquenta-se com um isqueiro até que ela se encolha (to shrink = encolher).
Encontra-se isso nas lojas de material elétrico/eletrônico (usado p/formar feixes de fios). É muito prático mas não é tão tradicional como uma falcaça.

É preciso gastar um tempo pra fazer a falcaça bem feita. Mas fica bem bonito. A falcaça deve ser feita com um cabinho (ou cordão) de diâmetro muito menor do que o cabo a falcaçar.

Opção 3 - Você pretende ser velejador. Siga a opção 1 e aprenda também o Nó Direito (para emenda de cabos de igual diâmetro - é o nó mais básico), a Volta do Fiel (para fixar a amarra a um poste, mas prefiro o Lais de Guia), o Nó de Escota (p/emendar cabos de bitolas diferentes), o Nó de Correr (aí abaixo chamado Movediço), a Volta do Fiador (conhecido também por Nó 8, serve para fazer volume na ponta do cabo e assim não deixá-lo escapar por um moitão, p. ex.).

E quanto ao resto dos nós que mostramos aí abaixo?
Esqueça!...
Estão aí só pra quem olhar de relance achar que o popa.com.br tem bastaaaaaaaante nós, como se imagina que um site náutico deva ter.
Talvez haja mais um pra aprender bem: nó do sapato (tênis): já vi gente tropicando no convés pela falta de um nó decente no tênis.

Aprendizado e Teste
Na fase de aprendizado tenha sempre um cabinho no bolso. Quando puder, treine. Treine por várias semanas para ficar bem gravado, mesmo que tenha aprendido todos logo no primeiro dia.

Use um cabinho de meio-metro, com uns 3 ou 4mm de diâmetro. Depois é bom treinar com um de 8 ou 10mm também.

Para saber se Você já aprendeu, de verdade, faça o nó de olhos fechados, depois de 1 mês sem dar nó algum, enquanto presta atenção em outra coisa.

Quando um nó é necessário, via de regra tem que ser feito rapidamente, enquanto V. pensa em outra coisa. Muitas vezes Você estará mal acomodado, dependurado, com o barco balançando, à noite...

É bom testar em situações "menos confortáveis", como se imaginando sua filha adolescente lhe dizendo que vai morar no exterior já a partir do mês que vem. Se não conseguir, insista. Com o nó. Quanto à sua filha, pode desistir de negar, já "de cara".

E mais um detalhe: treine os nós como se estivesse utilizando-os em um barco: o Lais de Guia p.ex., deve ser treinado amarrando-se um cabo ao pé de uma cadeira, como se fosse um poste no trapiche, ou passando o cabo através de uma argola, como se ela fosse o ilhoz de uma vela.

Não se esqueça de aprender a desfazer os nós também. E rapidamente.

Boa sorte!




E tem ainda o nó de caminhoneiro, em duas versões. É mais do que um nó, talvez uma amarra.
Na versão em P&B, o passo B é mais simples de fazer, de início, mas difícil de desmanchar. Na versão em laranja, a alça simples que substitui o nó do passo B em P&B, se desmancha sozinha.

O truque destes nós é a multiplicação da força aplicada pelo princípio das roldanas móveis (coisa que aprendemos no Segundo Grau). Funciona como a talha usada em oficinas para levantar motores.

Cada volta pelo olhal e seio do cabo (em D aí acima) multiplica a força aplicada por dois (2,4,8,16...). Mas tem um detalhe: na talha existem roldanas para eliminar o atrito. Dependendo do tipo de cabo utilizado, as múltiplas voltas no nó geram tanto atrito contra o olhal e o seio que com mais de duas pode ser impraticável tracionar.

Uma grande aplicação do nó de caminhoneiro é para puxar algo muito pesado para a força disponível. Se houver um ponto de apoio, use este nó para multiplicar a força. Imagine retirar d'água carreta & barco em uma rampa quando o carro não consegue puxar (fica patinando). Um nó desses dividirá o peso da carga a tracionar por dois.


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Texto e Foto - Reprodução

Fonte: www.popa.com.br - por Danilo Chagas Ribeiro

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quinta-feira, 29 de março de 2012

Carta Náutica

Sempre me assusta ver que muitos navegantes amadores e até mesmo alguns profissionais vão navegar em determinadas regiões sem consultar antes a carta náutica daquela região. É inadmissível, por razões de segurança, que alguém se lance ao mar sem conhecer os perigos da região em que vai navegar.

Uma carta náutica é na realidade um mapa, que pode ser impresso ou eletrônico. Cobre uma determinada área, dando prioridade para a área marítima e pouca prioridade para a área terrestre. Fornece ao navegante os seguintes dados: Profundidade em metros de toda a região coberta por aquela carta
Posição em coordenadas de latitude e longitude de tudo que está dentro da área coberta pela carta
Todos os perigos à navegação tais como pedras, bancos de areia, barcos afundados, etc
Permite que se faça medição de distâncias, em milhas náuticas (1 milha náutica= 1852m)
Fornece rumos para se ir de um ponto a outro dentro da região coberta pela carta
Fornece declinação magnética (ângulo entre norte verdadeiro e magnético), permitindo assim o uso de bússolas dentro daquela região.

Para entender a Carta Náutica
Para entender uma carta náutica o navegante deverá ter um mínimo conhecimento de latitude e longitude. A latitude são linhas (paralelos) utilizados para delimitar os graus, dentro de cada hemisfério. A latitude 0 (zero) é a linha do Equador. A partir desta linha contamos a latitude para norte ou para sul, de 0º até 90º. Tudo que está abaixo da linha do Equador é latitude sul. O pólo sul está na latitude 90º sul e o pólo norte está na latitude 90º norte.
A longitude está dividida em meridianos. O meridiano de Greencwich é a longitude zero da terra. A partir dele contamos a longitude, para leste ou para oeste, de 0º até 180º. Todo o Brasil e suas águas estão na longitude oeste e quase todo Brasil está na latitude sul (exceto uma pequena parte na Amazônia que está na latitude norte). Diz-se que Florianópolis está em 27º de latitude sul e 48º de longitude oeste.
Diante de uma carta náutica, o navegante deve-se se posicionar ao sul da carta, com o norte voltado para cima. A escala de latitude numa carta náutica estará então nas laterais das cartas (lado leste ou oeste)e a escala de longitude estará nas partes inferiores ou superiores da carta (lado norte ou sul da carta).
A escala de latitude também deve ser usada como referência para se medir distâncias (jamais a escala de longitude!). Assim, na escala de latitude 1 (um) grau corresponde à distância de uma milha náutica.

As cores da Carta Náutica
Todas as cartas náuticas, no mundo todo, têm as mesmas cores. A área em cor creme refere-se à área terrestre. A área em cor azul são as águas com menor profundidade (menos de 10m) e portanto mais perigosas. As áreas brancas são aquelas com profundidades superiores a 10m e portanto onde não há risco de encalhe. Os diversos números que aparecem nas cores azul ou branca referem-se exatamente às profundidades em metros naquele local, medidos na mais baixa maré.
Os outros perigos existentes dentro de uma certa região e mencionados numa carta náutica são ali mostrados na forma de símbolos. Ao nos depararmos com estes símbolos nas cartas precisamos consultar um outro documento, chamado de Carta Náutica 12.000, em forma de livreto. Ela contém o significado de cada símbolo citado nas cartas náuticas, de qualquer país, pois as cartas são fabricadas de acordo com orientações da International Hidrografic Organization, com sede em Mônaco.

Como ir de um ponto a outro com a carta náutica e a bússola
Trecho de carta náutica com Rosa dos Ventos, de 0º a 360º
Inicialmente convém esclarecer que quem sabe usar uma bússola não a chama de bússola, mas de agulha magnética. Ela é um instrumento que funciona segundo o princípio do magnetismo terrestre. Para entendermos melhor, vamos primeiro falar de norte.
Em determinado ponto do planeta existem dois pontos que chamamos de nortes. Um deles é chamado de norte geográfico (ou norte verdadeiro) e está localizado no encontro da latitude 90ºN com a longitude 000º. Nas imediações deste norte geográfico há uma região que funciona como um grande centro de atração magnética, chamado de norte magnético. O norte magnético não está no mesmo lugar do norte geográfico, mas um pouco mais à esquerda ou à direita do norte geográfico. Este ângulo ou distância entre os dois nortes é chamado de declinação magnética, que permitirá transformar os rumos verdadeiros fornecidos pela carta náutica em rumos magnéticos a ser seguido na bússola.
E para complicar mais ainda, esta declinação magnética citada sofre variações anuais, ou seja, o norte magnético muda de lugar todo ano. Sendo assim, o navegante precisa saber dizer, a toda hora, qual a declinação magnética do local onde ele se encontra navegando. Esta declinação pode ser dentro da Rosa dos Ventos da carta náutica da região onde se navega. A declinação magnética pode ser para oeste (quando o norte magnético está à esquerda do norte geográfico) ou para leste (quando o norte magnético está à direita do norte geográfico). No litoral brasileiro a declinação magnética será sempre para oeste.
A bússola usa o norte magnético como referência para seu funcionamento. Quando usamos a bússola para seguir rumos, o norte magnético é o rumo 000, o sul magnético é o rumo 180, o leste está no rumo 090 e o oeste no rumo 270.

Mas o que é rumo?
Rumo é uma linha reta entre nosso ponto de partida e nosso destino pretendido. O Rumo também é contado em graus, de 0º a 360º, no sentido horário.

Como descobrir qual o rumo a ser seguido durante um certo trecho que vamos navegar?
As cartas náuticas trazem uma Rosa dos Ventos, informando os graus de cada rumo, de 000º a 360º, no sentido horário, conforme figura anterior. Usando uma carta náutica, trace uma linha reta entre o ponto de partida e ponto de chegada de sua viagem. Coloque uma régua paralela de navegação sobre esta linha reta e conduza a régua, de forma paralela, até o centro da rosa dos ventos da carta e faça a leitura do rumo obtido. Este rumo lido é o rumo verdadeiro. No caso do litoral brasileiro, acrescente (some) a declinação magnética da área e terá então o rumo magnético a ser seguido na bússola. Em Florianópolis, a declinação magnética atual é de 18º para oeste (ano de 2006).
Muitos navegantes não usam a bússola para seguir rumos porque normalmente estão vendo seus destinos desde o ponto de partida, ou seja, navegam em curtos trechos. Mas mesmo vendo o destino desde o ponto de partida, deve-se saber dizer qual é o rumo que estamos navegando, pois pode acontecer de no meio da viagem cair a noite ou um forte nevoeiro e perdermos nosso destino e nosso ponto de partida de vista.
E agora, como proceder? À noite ou no meio de um nevoeiro, como faremos para saber onde está nosso destino e nosso ponto de partida? Qual é o rumo de regresso para nosso ponto de partida? Certamente você responderá: usarei o GPS. Esta resposta até certo ponto é aceitável, mas se o GPS não funcionar, faltar bateria ou não houver a bordo quem saiba manuseá-lo?
Estas perguntas, por si só, já justificam a existência da bússola e da carta náutica a bordo de nosso barco. Domine completamente o uso da carta náutica e da bússola de seu barco. Elas serão grandes e indispensáveis parceiras do navegante.


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Texto - Reprodução

Fonte: /www.aventuraeoffroad.com/

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