6-8. INTRODUÇÃO
Cada região possui recursos naturais e os regionais utilizam formas e
processos peculiares para procurá-los e prepará-los. O habitante local, o nativo,
será sempre uma fonte de referência útil. Caso não possa ele próprio fornecer
algum recurso alimentar, poderá informar quanto às possibilidades da região,
nesse particular.
6-9. REGRAS GERAIS
a. Existem mais de 300 mil espécies vegetais catalogadas no mundo,
sendo a maioria delas comestíveis e pouquíssimas as que matam quando
ingeridas em pequenas quantidades. Não há uma forma absoluta para identificar
as venenosas. Seguindo-se a regra abaixo, poder-se-á utilizar qualquer
vegetal, fruto ou tubérculo, sem perigo de intoxicação ou mesmo envenenamento.
"NÃO DEVEM SER CONSUMIDOS" os vegetais que forem cabeludos
e tenham sabor amargo e seiva leitosa, ou, minemonicamente, CAL:
C - cabeludos;
A - amargo sabor;
L - leitosa seiva.
OBSERVAÇÃO: Exceção será feita ao amapá, à sorva e ao abiu.
b. Qualquer fruto comido pelos animais poderá também ser consumido
pelo homem.
c. Se uma planta não for identificada, outra regra básica é utilizar
exclusivamente os brotos, de preferência os subterrâneos, pois serão mais
tenros e saborosos.
d. Nas regiões onde houver igarapés, seguindo seus cursos, obter-se-ão
alimentos vegetais com maior facilidade.
e. Não há na área amazônica palmitos tóxicos; todos podem ser consumidos:
buriti, bacaba, açaí, patauá. Apresentam-se sempre como prolongamento
central do tronco, sendo o seu tamanho proporcional à idade da
palmácea.
f. Os alimentos de origem vegetal estarão sempre na dependência da
época do ano e da distribuição geográfica.
g. Para eliminar a toxidez de alguns vegetais basta fervê-los durante
cinco minutos, realizando a troca de água por duas ou três vezes nesse período.
Após isto o vegetal poderá ser consumido. São exceções a esta regra os
cogumelos.
h. Se o sobrevivente consumir exclusivamente vegetais, deverá fazê-lo
de forma moderada até que seu organismo se acostume à nova dieta.
6-10. VEGETAIS COMESTÍVEIS
a. Os mais conhecidos são:
(1) Abiu - Fruto do abieiro, cuja árvore é oriunda do PERU. É
comestível, variando de forma e tamanho, esférico ou ovóide. A coloração é
predominantemente amarela com manchas verdes.
(2) Abricó - Fruta de casca amarela, redonda, polpa também amarelada;
as flores do abricoteiro são brancas. Come-se a polpa que, além de
saborosa, é abundante.
(3) Abutua - Outros nomes: parreira-brava, parreira-do-mato, uva-dorio-
apa. É uma trepadeira que dá cachos semelhantes aos da videira, com
bagas pretas e de gosto adocicado. Não se comem essas frutas, tendo elas,
entretanto, emprego terapêutico. Assim, a raiz e a casca do tronco, por cocção,
podem ser usadas para reumatismo, prisão de ventre, afecções hepáticas e má
digestão, além de diuréticas. Dez a quinze gramas por litro d’água e 4 a 5 xícaras
por dia será a dose indicada. Por outro lado, é indicada para cataplasmas em
inflamações e contusões.
(4) Açaí (Fig 6-9) - Fruto escuro, colhido em cachos. Quando amassado,
produzirá um líquido grosso, do qual resulta, em mistura com água,
saudável refresco. É uma rica fonte de calorias e de ferro. O açaizeiro é uma
palmeira cujo palmito poderá ser comido cru ou cozido.
(5) Açucena - Planta aquática, de flores brancas ou amarelas; os talos
e as tuberosidades (batatas) são comestíveis, crus ou cozidos, e as sementes
também, delas resultando, quando secas e trituradas, uma espécie de farinha.
(6) Amapá - Árvore grande, de cuja casca, após sulcada inclinadamente,
escorrerá um leite vegetal com teor alimentício, de gosto semelhante ao leite
de gado, mesmo sem açúcar. Deve ser adicionado à água (2 porções para uma
de amapá) para que não traga prejuízo ao sistema digestivo.
(7) Anil - Outros nomes: caachica (AMAZONAS) ou timbó-mirim
(MATO GROSSO). Planta herbácea, ramosa, de cor verde esbranquiçada;
folhas em palmas e compridas; flores róseas, miúdas e em pequenas cachos;
o fruto é uma vagem cilíndrica, curvada, aguda na ponta, contendo sementes
parecidas com o feijão. Usos principais: diurético, purgativo e febrífugo (chá das
folhas e raízes), contra sarnas (folhas machucadas) e repelente de insetos
(raízes e sementes, secas e pulverizadas).
(8) Araçá - Várias espécies de vegetais com este nome têm larga
distribuição em toda a AMAZÔNIA. O fruto é semelhante à goiaba, um pouco
ácido, de casca amarelo-avermelhada e pequenas sementes. A polpa do araçá,
além de ser consumida ao natural, serve para o fabrico de doces e refrescos e
para os chamados “vinhos” dos indígenas.
(9) Babaçu (Fig 6-10) - Planta da família das palmeiras cujo fruto pode
ser consumido e a casca (que é muito dura) pode ser utilizada como carvão. No
fruto pode ser encontrado o “tapuru” (larva de besouro vivo com grande valor
calórico e proteico).
Fig 6-9. Açaí
Fig 6-10. Babaçu
(10) Babosa - Outros nomes: caraguatá ou erva-babosa. Planta semelhante
ao ananás, de folhas compridas, grossas e orladas de espinhos em
serrilha; tem cheiro forte e do centro sai uma haste onde, na parte superior,
ficam as flores amarelas; seus frutos são ovóides e cheios de pequenas
sementes. Usos principais: queimaduras e inflamações (suco das folhas) e
oftalmia (polpa das folhas).
(11) Bacaba (Fig 6-11) - Palmeira que, além de fornecer um palmito
comestível, produz frutos semelhantes ao açaí, que dão um excelente vinho.
(12) Bacuri - Fruto do bacurizeiro, árvore de grande porte que é
encontrada no AMAZONAS, PIAUÍ, TOCANTINS, PARÁ, MARANHÃO e
MATO GROS-SO. O fruto é uma baga globosa, amarela, de 7cm de diâmetro
longitudinal, com polpa branco-amarelada, comestível e de gosto agradável. As
próprias sementes têm sabor de amêndoas e são comestíveis.
(13) Bambu - Os brotos são amargos, mas poderão ser comidos crus;
para tirar o amargor bastará cozinhá-los em uma ou duas águas; antes de comêlos,
tirar as películas que os envolvem; as sementes também são comíveis.
(14) Biribá (Fig 6-12) - Fruta grande, semelhante à ata ou pinha, de
casca esverdeada. A polpa é abundante e esbranquiçada e as sementes,
pequenas e pretas. O fruto verde e seco, reduzido a pó, é empregado como
antidiarréico, por ser rico em substâncias tônicas.
Fig 6-11. Bacaba
Fig 6-12. Biribá
(15) Buriti (Fig 6-13) - Palmeira que fornece folhas, palmito e frutos. O
palmito será encontrado no prolongamento do caule. Os frutos são arroxeados
e escamosos, possuem alto teor de provitamina A e são ricos em gordura.
(16) Cacau - Fruto gomoso, de casca dura e amarelada, dentro do qual
estão as sementes envoltas por uma polpa branca. Somente esta polpa poderá
ser aproveitada em estado natural.
(17) Cajuí - Também conhecido como caju-do-mato, é uma fruta
vermelha, semelhante ao caju comum; a castanha, torrada, poderá ser comida.
(18) Camocamo - Árvore de caule liso que poderá ser encontrada em
terrenos baixos à beira dos lagos; o fruto é semelhante à jabuticaba, rico em
vitamina “C” é também comestível.
(19) Capim-elefante - Também chamado rabo-de-gato. Dele são
comestíveis o pólen, os ramos novos e tenros.
(20) Cará ou inhame - Planta de folhas cordiformes e comestíveis,
substituindo os espinafres. Os tubérculos dos carás podem ser arroxeados ou
brancos, são ricos em amido e são consumidos cozidos, assados ou associados
a outros alimentos de origem animal.
(21) Caruru - Planta de folhas finamente recortadas que flutuam na
corrente. As flores, que parecem penas róseas com cheiro de violetas,
emergem da água na extremidade de compridos pedúnculos. A planta, secada
ao sol, e após queimar e lavar suas cinzas, apresentará como resíduo um sal
grosseiro, porém útil.
(22) Castanha (Fig 6-14) - Fruto de árvore majestosa, chamada
castanheira, que atinge até 50 metros de altura, de onde pendem pesados
ouriços. Em cada ouriço encontram-se de 12 a 22 nozes. As amêndoas contidas
nestas nozes possuem alto teor nutritivo (100g de castanha do BRASIL
fornecem 400 calorias).
Fig 6-13. Buriti
Fig 6-14. Castanha
(23) Cipó-cravo - Cipó facilmente encontrado na Amazônia, quando
cortado transversalmente, apresenta o formato de uma “cruz de malta” na
secção. Preparado em forma de chá terá efeito diurético e antidiarréico.
(24) Cúbio - Fruto amarelado, redondo e azedo, cujo pé é um arbusto
de capoeira coberto de espinhos. Cozido, pode ser comido.
(25) Cucura - Planta leguminosa robusta, com raízes tubulares acima
do solo, para sustentar o possante tronco. Seus frutos são doces e acídulos e,
fermentados, dão uma bebida vinosa.
(26) Cupuaçu - É cultivado em todo o Norte do BRASIL e sua árvore,
podendo atingir até 6 metros de altura, tem a casca marrom ou acinzentada. O
fruto é uma cápsula elipsóide de até 30 cm de comprimento por 15 de diâmetro,
de casca escura, verrugosa e lenhosa; a polpa branca, envolvendo as sementes,
é agradável. Rica em glicídios, pode ser dissolvida na água, em forma de
vinho ou refrigerante.
(27) Cupuaí - Existe na AMAZÔNIA, sobretudo em terrenos pantanosos;
seu caule pode atingir até 15 metros de altura e é de casca amarela ou
cinzento-escura. O fruto é uma cápsula amarela, sendo consumido o epicarpo
carnoso, que é adocicado. As sementes são sucedâneas do cacau.
(28) Fedegoso - Outros nomes: mata-pasto, mananga, manjerioba
(CEARÁ), pajamarioba (PARÁ), folha-de-pajé ou lava-pratos. É uma planta de
caule cilíndrico, ramoso e ascendente, de folhas enrugadas e de flores
tubulosas, brancas ou violetas; o fruto é uma noz, contendo 4 caroços redondos.
Usos principais: purgativa (infusão das folhas, na dose de 10 gramas em uma
xícara de água) e diurética (casca da raiz, na dose de 4 gramas em uma xícara
de água fervendo).
(29) Fetos - São plantas encontradas em lugares úmidos. As partes comestíveis
são as raízes e os brotos das extremidades de cada ramo.
(30) Fruta-de-guariba - Também chamada gogó-de-guariba. Tem fruto
arredondado, de 10 cm de diâmetro, cor marrom clara, casca lisa sabor pouco
agradável.
(31) Goiaba-de-anta - A árvore alcança 10 metros de altura, ocorrendo
na AMAZÔNIA. Seus frutos são bagas que se desenvolvem aderidas ao próprio
tronco.
(32) Graviola (Fig 6-15) - Árvore disseminada pelos trópicos de todo o
globo, atingindo até 10 metros de altura e sendo encontrada, inclusive, em
forma silvestre. O fruto é uma baga de forma irregular, areolada, com polpa
branca, suculenta e um pouco fibrosa. Uma única fruta pode pesar até 2 quilos.
A polpa é comestível ao natural ou transformada em suco. O fruto verde é
antidisentérico e as sementes são adstringentes (provocam constrição) e
eméticas (provocam vômitos). Outros nomes: pão-do-pobre e graviola-donorte.
(33) lnajá - Palmeira de pequeno porte (5 a 6 metros), cujas amêndoas
e palmitos são comestíveis.
(34) lngá-açú (Fig 6-16) - Árvore alta, copada, de folhas miúdas; o fruto
é uma vagem achatada, de até 30cm de comprimento. A polpa que envolve a
semente é doce e saborosa.
Fig 6-15. Graviola
Fig 6-16. Ingá-açu
(35) lngá-cipó - Semelhante à anterior, mas as vagens alcançam 80 cm
de comprimento.
(36) lngaí - Árvore silvestre, de vagem pequena, cuja polpa dos frutos
é comestível.
(37) lnhame - Ver Cará.
(38) Jaci - Palmeira de caule e folha espinhentas. Seu fruto é um “coco”
pequeno de formato redondo-achatado e de cor marrom-clara. Na sua polpa
pode ser encontrado o “tapuru” (larva de um besouro vivo com grande valor
calórico e protéico).
(39) Jambuaçu - Conhecida ainda como agrião-do-pará ou agrião-dobrasil.
É uma planta de hastes ramosas e rasteiras, de folhas dentadas, flores
amarelas que passam a pardacentas e de frutos secos, com uma única
semente. As folhas são comestíveis, mesmo cruas, e o extrato das flores é
utilizado nas dores de dente.
(40) Janari - Palmeira donde se poderá extrair palmito.
(41) Jatobá - Árvore grande, também chamada jataí, que dá vagens
marrons com bagas semelhantes às do ingazeiro.
(42) Jenipapo (Fig 6-17) - Fruto de casca marrom, do tamanho de uma
laranja, cuja polpa é comestível e o vinho muito apreciado. O fruto deve ser
consumido “in natura”, pois quando fervido produz um líquido que provoca
ânsias de vômito.
(43) Macaxeira - Espécie de mandioca cuja raiz não contém princípios
venenosos. A planta é menor que a da mandioca amarga. Os tubérculos podem
ser comidos assados, cozidos ou fritos como a batata. Na AMAZÔNIA há duas
variedades: a branca e a de casca roxa. Pedaços de macaxeira cozida podem
ser associados a cozidos e assados de carne, obtida em caçada ou com
armadilhas, e de peixe.
(44) Marajá - Palmeira que dá coquinhos pretos, conhecidos, também,
por cocos-de-catarro.
(45) Mari - Conhecido também como umari ou mari-gordo. Árvore
pequena que é encontrada na AMAZÔNIA. A fruta é do tamanho de um ovo
pequeno, com polpa adocicada e oleosa, comestível, mas um tanto enjoativa.
(46) Marimari-de-várzea - Árvore pequena que é encontrada na AMAZÔ-
NIA. Seu fruto é uma vagem de 80 cm de comprimento, quase cilíndrica, contendo
grande número de sementes envoltas numa polpa verde, doce e comestível.
(47) Marupá - Outros nomes: marupá-mirim, marubá ou papariúba
(MARANHÃO). Árvore de 20 a 25 metros de altura, o que a distingue do marupádo-
campo (marupaí-do-campo, pau-paraíba ou mata-barata), que também é
medicinal. A casca é muito espessa, fibrosa e porosa; a madeira é leve e branca,
manchada de amarelo claro; folhas alternadas; flores esbranquiçadas e pequenas;
fruto de 5 cápsulas, de forma e volume de uma azeitona, contendo cada
uma 1(um) caroço oval. A infusão da casca, principalmente a da raiz, é indicada
contra diarréias, disenterias, cólicas, febres intermitentes e afecções verminosas,
na dose de 4 a 5 xícaras por dia. O pó da casca é cicatrizante.
(48) Mucajá - Palmeira que dá coquinhos amarelos, conhecidos,
também, por cocos-de-catarro.
(49) Murici (Fig 6-18) - Árvore alta e frondosa, de folhas largas e
aveludadas e caule reto, com ramagem simétrica. O fruto é pequeno e agridoce,
com propriedades laxativas. Toda a planta é diurética e se consumida provoca
vômitos. A casca é adstringente (provoca constrição) e antifebril.
Fig 6-17. Jenipapo
Fig 6-18. Murici
(50) Pacovan - Banana que alcança 40 cm de comprimento, bastante
indigesta quando consumida ao natural, porém muito apreciada quando assada
ou cozida.
(51) Pajurá (Fig 6-19) - Árvore de porte médio, comum na AMAZÔNIA,
de fruto ovóide, com caroço unilocular, doce, pouco oleoso e aromático.
(52) Palmeiras - São plantas que reúnem cerca de 1.500 espécies e
entre as quais estão os coqueiros, isto é, as que dão cocos grandes; as demais
dão os chamados “coquinhos”. Cocos e coquinhos são os seus frutos, nunca
venenosos, mas alguns não podendo ser comidos crus. De uma palmeira tudo
será aproveitado, assim:
(a) o tronco poderá servir para construir balsas;
(b) as folhas servirão para cobertura dos diferentes abrigos e para
“acolchoar” uma “cama”;
(c) como alimentos, ela poderá fornecer amido extraído de seu
âmago, o qual, após duas lavagens em água, dará um depósito de goma que,
seco, será usado como farinha; fornecerá palmito, cocos e coquinhos. Os cocos
encontrados no chão, mesmo germinando, poderão ter sua polpa consumida,
desde que seja antes cozida; com isto, ela perderá muito do seu poder laxativo.
Será necessário ter cuidado, entretanto, ao se mexer na folhagem das palmeiras,
porque, sendo quase todas muito semelhantes, o leigo não distinguirá a
espécie chamada pindoba ou patioba que se constitui no “habitat” da serpente
“surucucu-de-patioba”. Além disso, geralmente, a vegetação estará cheia de
outros pequenos animais, como formigas, cabas e lagartas.
(53) Patauá - Palmeira que dá coquinhos semelhantes, na cor, ao açaí,
e dos quais se extrairá bebida e óleo; podem ser comidos crus.
(54) Paxiúba - Palmeira donde se extrai palmito.
(55) Pindoba - Palmeira que fornece palmito e, dos coquinhos, óleo.
(56) Piririma - Palmeira de que se pode obter, igualmente, palmito e óleo.
(57) Pitomba (Fig 6-20) - Árvore copada, com folhas em palmas, de
fruto globoso pequeno, marrom, com casca tenaz. O caroço é adstringente
(provoca constrição), aplicando-se contra diarréias crônicas.
Fig 6-19. Pajurá
Fig 6-20. Pitomba
(58) Pupunha (Fig 6-21) - Palmeira que pode atingir 18 metros de
altura; os frutos, ovóides ou arredondados, amarelados ou vermelhos, são
comidos cozidos, muito nutritivos e de gosto agradável.
(59) Pupunharana - Palmeira de até 10 metros, com frutos do tamanho
de um ovo, comestíveis.
(60) Saracura-muirá - Arbusto de 1 metro de altura, de folhas longas,
abundante na AMAZÔNIA. A infusão de uma raspagem da raiz, bem batida com
água, dá uma espécie de cerveja, um pouco amarga; se fervida, este amargor
desaparecerá. É narcótica, quando ingerida em grande quantidade. Um caneco,
por homem e por dia, é a medida máxima. Possui propriedades terapêuticas,
funcionando como protetor hepático.
(61) Sorva - Árvore frondosa e de grande porte que fornece frutos
pequenos e esverdeados e um tipo de leite vegetal, o leite de sorva. Este leite,
colhido à semelhança do látex, sulcando-se, inclinadamente e sem provocar
arestas, o grosso tronco e colocando-se uma folha no encontro das duas
incisões, para facilitar a colheita, poderá ser utilizado, sem nenhum temor, na
proporção de 2 dedos para um caneco d’água. O leite de sorva é perfeitamente
branco e possui teor nutritivo, com sabor bastante semelhante ao leite de gado.
(62) Taperebá - Fruto de árvore que atinge até 25 metros de altura. Seu
fruto tem a forma elipsóide, com comprimento de aproximadamente 4 cm, de
cor amarelo-alaranjada. Tem odor agradável, sua polpa é comestível, muito
sucosa, sendo usada no preparo de sucos, sorvetes e licores.
(63) Tucumã (Fig 6-22) - Sob esta denominação encontram-se diversas
palmeiras, de grande utilidade, desde as folhas aos frutos. Das folhas
obtêm-se fibras que, tecidas, são utilizadas no preparo de redes, cordas e
atilhos; os frutos são comestíveis, tanto crus, como cozidos. Os troncos destas
palmeiras são revestidos de espinhos e seus frutos são amarelos, com polpa
fibrosa e semente (caroço) grande. A polpa é rica em pró-vitamina A e seu valor
energético é significativo: 247 calorias por 100g de fruto. Da semente pode-se
extrair óleo vegetal de grande aceitação.
Fig 6-21. Pupunha
Fig 6-22. Tucumã
(64) Uxi - Árvore grande, cujos frutos poderão ser comidos crus ou
cozidos e de onde se poderá extrair uma gordura comestível.
(65) Xexuá - Cipó estriado com nervuras esverdeadas que, após
raspado, apresenta uma cor amarela. Quando cortado pode-se ver círculos
vermelhos concêntricos. O habitante da amazônia mistura “lascas” em garrafas
de aguardente ou prepara-o em forma de chá quando, então, é considerado
afrodisíaco.
b. A relação acima não esgota o assunto. Conforme a área da Região
AMAZÔNICA, novas plantas e frutos poderão enriquecer esta lista ou, no
mínimo, suplementá-la com novidades ou denominações locais.
Texto e Foto - Reprodução
Fonte: Web
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